quinta-feira, 9 de abril de 2009

Por que você não escreve todos os dias?

Foi esta a pergunta que me fez o jornalista Ricardo Noblat, que participou na terça-feira de um encontro com universitários na Academia Mineira de Letras dentro do programa "batendo papo com o autor". Um grande sucesso. Disse-lhe, em resposta, que minha crônica era publicada aos sábados no jornal O Tempo e que o reduzido espaço (3.000 toques) para a coluna impedia desenvolver determinados assuntos. De resto, o pequeno espaço é um excelente treinamento para aperfeiçoar o estilo. Aí, então, lembrou-me ele, que tem um blogg dentro do portal da Globo com mais de mil acessos diários: use seu blogg. Como diz a rapaziada, caiu a ficha e, de agora em diante, vou comentar neste espaço alguns assuntos e fazer observações que considero válidas para exame e discussão das pessoas que me honrarem com seu acesso e leitura.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Memórias antecipadas - um caso de cassação de mandato I

O jornal Estado de São Paulo publicou na edição do dia 24/03/09 matéria subordinada ao título “Ata secreta revela bastidores das cassações dos anos de chumbo”, na qual revela a discussão havida entre o General Médici e o presidente Costa e Silva a propósito da decisão do presidente de excluir meu nome da lista de cassações. Como o episódio ocorreu entre o final de 1968 e o início de 1969, julguei oportuno - fugit irreparabile tempus - antecipar parte de minhas memórias, em preparo para divulgação futura. O general Médici presidente disse ao presidente Costa e Silva: “assim, vão ficar convencidos que o senhor tem o maior coração do mundo”, quando Costa e Silva determinou a retirada e meu nome de uma suposta lista de cassações de mandato em homenagem ao vice-presidente Pedro Aleixo, cujas ponderações evidenciaram a injustiça do procedimento. O nome do autor da proposição para o ato de degola não é citado, provavelmente teria sido o ministro Gama e Silva. As coisas se passaram dessa maneira: membro a Comissão de Justiça da Câmara, recusei pedido do governador Israel Pinheiro para votar favoravelmente ao projeto de cassação do mandato do deputado Márcio Moreira Alves. Chegando à Câmara, o deputado Geraldo Freire, líder do governo e por quem tinha grande apreço e amizade, renovou o apelo. Ante a minha recusa, decidiu afastar-me da Comissão de Justiça, ato praticado nos limites de sua competência.

Memórias antecipadas - um caso de cassação de mandato

No plenário, no dia da votação do projeto em questão, votei contra o ato abusivo e politicamente inútil de cassação de Márcio Moreira Alves. Nessa posição encontrava-se quase toda a bancada mineira. O que ocorreu depois foge ao objetivo destes esclarecimentos. Fica para as memórias. Dias depois, o deputado gaúcho Tarso Dutra, do PSD do Rio Grande do Sul, ministro da Educação, encontrou-se comigo e deu-me notícia das palavras altamente honrosas do professor Pedro Aleixo em meu favor, quando meu nome surgiu para o cadafalso, o que levou o presidente Costa e Silva a aceitar suas ponderações para livrar-me da imerecida punição política. Não fui eu o único a participar da lista colocada naquele dia à deliberação do Conselho, em que se incluía quase toda a bancada mineira encimada por Milton Campos. Procurei o vice-presidente Pedro Aleixo em seu gabinete com o propósito de agradecer-lhe a generosidade de seus conceitos. Na ante-sala estava o jornalista Carlos Castelo Branco, o Castelinho, que tomou conhecimento dos motivos de minha presença ali, registrando-a em sua prestigiosa coluna. Ao tocar no assunto, o professor Pedro Aleixo sequer deixou-me continuar dizendo que a reunião era secreta e não havia nada a agradecer-lhe. Sempre o mesmo homem de grande nobreza de atitudes.

Memórias antecipadas -um caso de cassação de mandato III

Eu já estava marcado por alguns militares da chamada “linha dura”, desde quando pronunciei na Assembléia o discurso Protesto de uma Geração contra a cassação de Juscelino. Anos mais tarde, essa mesma indisposição política para comigo se manifestou quando disputei a convenção do PDS para candidato ao governo do Estado, oportunidade em que os governos federal e estadual acionaram todo tipo de pressão para impedir fosse eu o vitorioso. Este é tema para muitas outras informações, guardadas no baú da memória a ser destampado no tempo exato. Sempre que alguém indaga quando pretendo escrever minhas memórias, respondo com a advertência de que a existência de muitas personagens vivas impõe alguns constrangimentos e querelas indesejadas. Conversando com o senador José Sarney que escreve atualmente suas memórias, sobre este tema objetou-me dizendo que não há necessidade de expor personagens em situação delicada, ao que obtemperei afirmando que, dessa forma, memórias ficariam desfiguradas ainda mais pelo desgaste a que são submetidas pelo tempo. Seja como for, brevemente haverei de contar muitas histórias vividas neste longo caminho percorrido em meio século de vida pública.