domingo, 8 de março de 2009
A camisa de Giácomo - uma crônica III
A ida de Giacomo para o trabalho rural facilitava as coisas. Ademais, ele era de tal forma desligado que o mundo poderia desabar sem que movesse um só músculo do rosto. Naquele tempo não se falava assim, mas dele hoje se diria que "não estava nem aí". Pierino e Manoela foram se acostumando aos encontros no tálamo italiano. O fazendeiro comparecia com o vigor de sua libido e com o recheio da conta da casa para as despesas. Certo dia Pierino chegou de inopino. Giacomo ainda estava por lá. O jeito foi aboletar-se debaixo da cama, sem que Manoela e Pierino soubessem. Por ali permaneceu enquanto o casal rendia tributos ao altar de Eros e Afrodite. Pierino disse a Manoela que deseja comprar uma camisa para Giacomo, mas não sabia o número de seu pescoço. Afinal, ele era tão bom e compreensivo que bem merecia o regalo. Novamente pergunta pelo número da camisa a ser comprada. Manoela não sabia. Giacomo sob o leito, a tudo ouvindo serena e passivamente, socorre-a com seu forte sotaque italiano: "cuarant'otto".
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